sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Flávia Souza superou acidente e fundou um grupo de dança

Depois de um grave acidente de moto, bailarina criou o Grupo Cultural Afrolaje, que dissemnina danças e costumes afro-brasileiros
http://multishow.globo.com/Faca--Danca/Noticias/Flavia-Souza-superou-acidente-e-fundou-um-grupo-de-danca.shtml

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


O BOM DA VIDA É SER FELIZ!

por Tatiana Tiburcio

Estava vendo um filme a pouco onde o personagem principal vivia intensamente tudo o que se pode ter da vida de bom e de ruim até no final pegar uma doença por conta de todos os excessos a que se expôs e morrer. É isso. Ponto. Tirando o lirismo e a glamorização da falta de limites, a história se resume a isso. E tudo em nome da tal felicidade. Daí me pego pensando no que seria felicidade... A gente passa a vida fazendo tudo o que pode de certo e errado – pois afinal, o que é o certo e errado? – em nome da tal felicidade e não percebemos que ela na maioria das vezes estava bem ali, ao nosso lado, ao nosso alcance, e a gente deixou passar. Deixou passar por egoísmo, por crueldade consigo e com o próximo, por burrice, ou simplesmente porque estávamos tão desesperados por encontrá-la que não percebemos a sua presença. E muitas das vezes só nos damos conta disso quando chegamos ao fundo do poço, ou quando ela vai embora e a gente percebe que esteve o tempo todo procurando algo que já estava ali.
Em nome da tal felicidade fazemos tanta merda, metemos tanto os pés pelas mãos, passamos por cima dos que nos cercam, passamos por cima de nós mesmos e no final das contas, quase sempre voltamos ao ponto de partida para concluirmos que éramos felizes e não sabíamos. Ou que na verdade o que buscávamos não estava no caminho que a paixão nos conduziu. Sim, porque essa procura desenfreada por essa tal felicidade é quase sempre conduzida pela paixão. Sentimento intenso, porém fugaz que nos arrebata, cega e domina, para depois nos deixar perdidos e vazios. Como uma amante de Renoir que nos leva ao delírio para depois nos abandonar dizendo: “por quem me tomas? Apresentei-me como amante e como tal, passo!”. E passa. Porque tudo na vida passa. Até a angustia da necessidade de encontrar essa tal felicidade. Passa. 

Porque acreditamos que temos que ir o mais fundo possível pra podermos dizer que vivemos? Não que ir fundo não seja bom e necessário muitas das vezes, mas a regra não é essa porque não existe regra. E se existisse seria apenas: seja feliz! Seja feliz a cada dia, nas pequenas coisas do dia a dia que só valorizamos depois que chafurdamos na lama do egoísmo. Será que é preciso perder a vida ou estar em risco de perdê-la para que possamos dizer fui feliz porque vivi? Viver é autodestruição ou conhecimento e crescimento?

Às vezes penso que para encontrarmos a felicidade, basta viver com amor. Por mais careta e piegas que possa parecer, viver com amor. Esse amor que nos faz olhar a volta e não apenas para o próprio umbigo. Um amor amplo, geral, irrestrito que afugenta o egoísmo e dá lugar ao compartilhar. Daí, tudo se pode alcançar!

Em todas as doutrinas que propõem um reli gare com a força maior a regra máxima para ser feliz é amar. Porque o amor conecta, amplia, multiplica. Quando na busca dessa tal felicidade percebemos que não estamos ampliando e multiplicando, mas dividindo, quebrando, destruindo então estamos no caminho errado com toda certeza porque não estamos sendo guiados pelo amor, mas pela paixão.
Não sei, mas prefiro acreditar que ser feliz – como alguém me ensinou um dia, mas também se esqueceu na busca por essa tal felicidade – é doar, entender, é fazer o outro melhor, é fazer-se um pouco melhor, porque a vida é um hino de amor que sempre vale muito mais a pena entoar... 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

ÚLTIMO CAPÍTULO DE SUBÚRBIA 

http://www.tabonitobrasil.com/assistir-suburbia-20122012-video-ultimo-episodio-8-completo-online/




SALUBA, NANÃ!
Nanã. A mais velha das orixas cujos elementos são a terra e a água. A senhora das águas turvas e da lama. É quem reconduz as almas ao terreno do astral. Senhora do reino da morte, é ela que possibilita o acesso ao território desconhecido e é através dela que as almas são modificadas para nascerem novamente. É nossa mãe/avó que adormece o espírito que irá encarnar para ser reduzido ao tamanho do feto. Adormece sua memória preparando-o para uma nova vida na carne. Saluba Nanã!


Por Tatiana Tiburcio

Das águas turvas do rio uma mãe recorre à outra pelo seu filho para que seja gerado novamente – enquanto todos se esquecem dele – e ressurja limpo de corpo e de alma. A mesma água que traz a fé de volta a vida dessa mãe desesperada através do terço vermelho colocado em suas mãos pela calmaria da água que invade e purifica sua casa física e espiritual. Água de Nanã que prepara e de Oxum que gera. Água que batiza que consagra que regenera. Água que gera vida e vida que surge pelo amor. O amor invocado no último suspiro, o amor de uma mãe que desce ao inferno para buscar seu filho, o amor que reconstrói e restitui aquilo que a paixão perverteu. O bem esta em festa! O amor venceu! A vida prevaleceu!
Como um Malcon X em sua aparência e fala, nosso herói renasce para um novo pensar, um novo viver porque agora esta forte no seu discurso cheio de identidade. Claiton encontrou seu lugar nos seus. Entendeu que só existe individualidade a partir do todo e com o todo. Ninguém vai determinar seu lugar no mundo, pois seu lugar é o mundo e o mundo somos todos nós. Todos nós porque em um movimento espiralar – por que crescente – estamos ligados e dependentes como um só organismo. Não tem de haver subjugo, não cabe opressão, superioridade, afinal, “quem é puro? Quem é misturado? Quem tem saúde? Quem é o enfermo? Quem é bom? Quem é o mal? Quem nos dita as regras? Quem nos diz: você cai, você vinga? Não há testemunha tão terrível quanto a consciência que mora no coração de cada homem”. É essa consciência o fio condutor, o canal de comunicação com o divino que nos orienta, nos conduz pelo caminho da verdade e da vida e que só ela é capaz de ser o juiz justo das nossas ações. A credora da qual ninguém consegue fugir e a quem ninguém consegue enganar. Mas também a única capaz de tudo redimir porque é quem abre espaço para o perdão, a esperança, a fé, o amor. O mesmo amor que chama na porta de forma singela no meio da noite iluminando os passos de quem caminha em sua estrada. De quem sabe que é preciso confiar para se chegar lá. Onde quer que seja.
Claiton esta de novo de pé, parado na porta do paraíso, mas dessa vez esta limpo de corpo e alma. Pronto para renascer agora pelas águas desse amor. Águas turvas de Nanã presente na pequena poça à porta do paraíso pela qual ele encontra caminho para vir à vida. Vida que aflora agora com consentimento, desejo compartilhado, nos braços de quem se ama e porque se ama. Tornando dois corpos em um numa mesma sinfonia. Sim! É preciso que se diga! É desejado dizer!
E até breve. Num doce abraço, num terno sorriso, em um conselho amigo, em um obrigado por tudo, em um beijo carinhoso, na união e na amizade de desconhecidos, hoje amigos, unidos pelo único sentimento capaz de dar sentido a tudo mais que existe e sem o qual nada é possível: o amor...


“É só o amor que conhece o que é verdade”
Renato Russo

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 7 - SUBURBIA

http://www.tabonitobrasil.com/assistir-suburbia-13122012-video-episodio-7-completo-online/




O que a vida quer da gente é coragem!
Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa


PorTatiana Tiburcio


Não há possibilidade de flertar com o mal e sair impune. Nem com o bem. Todos temos os dois lados dentro de si na mesma medida. O grande desafio do ser humano é saber equilibrar essa balança e é isso que tentamos durante toda nossa caminhada e que chamamos VIVER!
Do alto do monte para o qual Claiton foi levado para contemplar toda a ilusão de poder e prazer, ele se dá conta do que deixou pra trás: amigos verdadeiros, uma família verdadeira porque carregada de diversidades, qualidades e imperfeições que se equilibram na medida certa ofertada pelo amor; ele deixou um amor verdadeiro. Verdadeiro porque companheiro, amigo, guerreiro, sofrido, feliz. Deixou tudo isso pela paixão. Esse sentimento que provoca deleite e perdição. Que nos dá força para vingar, matar física e espiritualmente, para ir fundo na empolgação de que se esta finalmente desabrochando pra vida quando na verdade se afasta dela que com as mãos sempre estendidas tenta lhe trazer a razão. A paixão sempre foi a pior conselheira. A paixão pelo outro, pela vingança, pelo poder...  a paixão. Ela cega, seduz, engana e depois descortina a verdade provocando horror e perda àquele que seduziu. E não adianta tentar chamar a razão, pois no momento da embriaguez os valores são outros, a lógica se inverte, e tudo o que se apresenta como contrário a ilusão, é rebatido com o desespero da sedução. É como uma droga que no primeiro instante é só prazer e felicidade, mas quando o efeito passa tudo o que você faz é usar cada vez mais tentando repetir aquela mesma sensação que nunca será igual novamente e assim vai se perdendo e afundando mais e mais. Pior do que se entregar a paixão é tentar sair dela, porque como um agiota ela lhe cobra muito caro por todo prazer momentâneo proporcionado. É um corte na carne, profundo, que cria cicatrizes das quais nunca se vai esquecer e que em alguma medida sempre vai doer.
Mas assim como o mal não deixa de nos cercar, o bem não deixa de nos proteger. É justamente a união da família pelo aniversário do patriarca, na comemoração da vida, que a morte se faz necessária para o renascimento. Quando todos os poderes se unem através do rito e da tradição que evoca pela procissão e pelos tambores sagrados a abertura dos caminhos, inundando as ruas por onde passa de ancestralidade e juventude. Passado e presente convocados para a celebração e resgate da vida que nunca termina, mas que se renova em um novo ciclo maior e cada vez mais forte.
Nosso herói busca o retorno quando se conscientiza que escolheu o caminho mais fácil. Quando se aproxima de novo de tudo que perdeu e percebe como está sujo de corpo e de alma.
É preciso se limpar, se purificar, é preciso morrer pra nascer de novo, voltar e continuar seguindo. E o demônio vem sorridente de Armani cobrar sua dívida e levar de volta tudo aquilo que deu porque a ele foi entregue e este dá a quem quiser.

O sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações.
Do mal será queimada a semente, o amor, será eterno novamente
Nelson Cavaquinho


terça-feira, 11 de dezembro de 2012


“Tú é mermo é quem se mata”
por Tatiana Tibucio


 Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Trecho de “Operário em construção” de Vinicius de Moraes


Claiton abandonou o que o fazia dizer não. É muito difícil olhar para a luz quando o véu da perdição já cobriu nossos olhos. Vivemos no eterno limiar entre o que é certo e o que é errado. O que é certo e o que é errado? A vida se apresenta como uma eterna encruzilhada cheia de possibilidades sedutoras prontas para saciar nosso ego, nossa vaidade, nossa consciência, nossa soberba, nosso orgulho, nossa caridade, nosso amor, nosso ódio, nossa vingança, nosso perdão. Que caminho seguir? O caminho que sacia os nossos instintos ou o que sacia a nossa razão? Nem um nem outro. Achar o equilíbrio entre os dois pólos é que se torna o desafio de viver. Abandonar uma parte da vida porque esta não mais te completa é fácil. Essa é a escolha dos fracos e/ou dos covardes. Reinventar o desejo, o amor, o prazer, a felicidade, dentro da mesma realidade é que é o verdadeiro desafio de viver.

Exu veio pra desestabilizar a harmonia possibilitando assim o crescimento e a mudança. A vida sempre nos apresenta e nos impõe o momento de sermos fênix. De ressurgirmos das cinzas para o novo e melhor e nem sempre esse novo é outro diferente do que se tem agora. Ressurgindo do fogo do sol que brilha atrás de si; vestido e armado com as armas da vingança, Claiton se entrega a sua suposta missão, agora realizada, de vingar o irmão saciando seus desejos mais egoístas em detrimento a todo o bem que se lhe apresentava de bom grado. Porém, nascem do fogo também com ele todas as conseqüências de sua escolha. Ah que insaciável e contraditório é o ser humano que esta sempre em busca de mais mesmo que não seja necessário! No entanto, é preciso que às vezes mergulhemos no mais obscuro de nós mesmos para que possamos ver o quão maravilhoso é o brilho do caminho bom. Precisamos do momento de chafurdar na lama, em meio aos porcos, ao lixo, a podridão para enxergamos o bom, o belo que a vida nos apresenta e que muitas vezes estamos impossibilitados de ver, cegos pelos nossos desejos egoístas oriundos do medo, da insegurança, da inveja, da covardia, de tudo aquilo que, junto com todas as qualidades, nos faz humanos.

Podemos dizer que a palavra que define este capítulo seria RENASCIMENTO. É o que começa a acontecer em todo o universo de SUBURBIA. Margarida também esta acordando. Mergulhada que já estava no seu inferno particular, ela começa a acordar impulsionada pelo sentimento que mesmo pequeno frágil e delicado, talvez seja o mais grandioso e poderoso que podemos carregar dentro de nós: o amor. Este estranho e complexo sentimento manifesto de forma tão plural. Neste caso o amor de mãe. A urgência deste sentimento começa a puxá-la para fora do lado sombrio em que se encontra. Margarida esta despertando! Como a música de Pai Aloysio que renasce através de seu trombone, do fundo do armário, acorda toda a casa e desperta Moacyr da preguiça que lhe define em prol da felicidade do pai, ou as mais delicadas lembranças de Vera mostrando o poder deste frágil sentimento chamado amor que precisa ser cultivado periodicamente nos pequenos gestos e nas eternas memórias para continuar vivendo e fazendo viver. Reinventá-lo a cada instante é desafio apenas para os fortes. Quem se habilita?

“A vida é um hino de amor”
Casemiro de Abreu

sábado, 8 de dezembro de 2012

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


“A vingança será a dor mais feliz!


                                                                                    por Tatiana Tiburcio

Parado diante da porta do paraíso, sujo, transtornado, sendo puxado para trás e para baixo por uma força que turva seus sentidos e sua alma. Uma voz boa o chama de dentro do paraíso. Ele atende e entra. Mas sua presença carregada maculou este lugar com seu ato anteriormente insano. Os protetores tentam castigá-lo, mas o amor o sentencia a uma segunda chance, porém sozinho. Sai! E correndo, ele se entrega na doce ilusão do lado perverso de todo ser humano confundido pelo aparente desejo de justiça. Das águas correntes que dão a vida ele se lava e renasce, porém para o lado mais sombrio do ser humano. Claiton perdeu a batalha!

Dessa forma se resume o quinto capítulo para mim. O lado bom perdeu o round para o lado sombrio. Fraco esse ser humano que se acha tão poderoso diante da existência! Esse existir que antecede a própria existência do individuo e que independente desta continuará seguindo! O trem da vida não para! Segue pelos trilhos do tempo, constante, impassível e a única coisa que podemos fazer a respeito é decidir em que momento queremos ou devemos descer e qual vagão queremos ou devemos pegar. Mas o que passou, passou. E não volta atrás. Mas passa de novo por um movimento espiralar de crescimento em um ponto parecido, mais a frente, nos dando a oportunidade de, não corrigir o passado, mas fazer melhor para o próximo passo. O trem nunca sai dos trilhos, nós é que às vezes entramos no vagão inadequado. 


E é no limite que separa o dia da noite que Claiton escolhe o vagão errado seguindo em um caminho que o leva para um “outro lado” dele mesmo. Que o leva ao encontro de tudo aquilo que ele rejeitou até agora, mas que sempre o atraiu. Rompeu com a única proteção capaz de mantê-lo a salvo deste lado sombrio: o amor de Conceição. Um amor que vai além da relação homem e mulher. Um amor que se multiplica porque tem raízes que se fortalecem no mais profundo do nosso passado, da nossa história, e cresce majestoso para o infinito pelas folhas da copa dessa arvore genealógica refletida no espelho da vida que passa de mão em mão mostrando as gerações e seus frutos desde Mãe Bia e Pai Aloisyo até Conceição, o mais novo membro da família.


Mas Claiton parou diante da porta do paraíso. Como no sonho de Dante, ele desceu na estação inferno. E mergulha doce e sereno nos braços da perdição. No entanto uma perdição aparentemente necessária, porque às vezes precisamos ir ao mais fundo possível. Quanto mais perto o corpo do chão, maior será o impulso pra sair dele. Está exposto entregue nas mãos de um destino traçado pelo ódio, pela vingança, pela dor, pela exclusão, pela falta de base, de raiz, de história, tradição. Um conjunto de referencias que lhe confeririam força o suficiente para se manter reto, crente e inteiro para seguir pelos trilhos da vida escolhendo os vagões mais acertados desta locomotiva porque assim ele não seria um, mas um a partir do todo. De todos. Conceição tenta chamá-lo a luz da razão, aos gritos. Mas este já esta entregue. Esta renascendo na água da bica, da chuva; esta entregue sem escolha, sem refúgio num mergulho no mais profundo da sua escuridão. Aceita os subterfúgios que lhe cabem sem precisar mentir . Ultrapassa uma barreira que o amor de Conceição não pode mais alcançá-lo e protegê-lo. Claiton renasceu para o seu inferno pessoal e agora só cabe a ele caminhar por esta perdição até encontrar novamente o equilíbrio.



“Se o sonho finge muros pelas planícies do tempo, 

faz-lhe o tempo acreditar que nasce naquele instante”.


Federico Garcia Lorca

sábado, 1 de dezembro de 2012

SUBURBIA 5º CAPÍTULO

http://nadaexagerado.com.br/11/2012/suburbia-video-do-episodio-5-29112012/


domingo, 25 de novembro de 2012


O DUELO

Durante toda série, até o momento, vemos uma queda de braço entre duas forças: o masculino e o feminino. Mas essa queda de braço não se restringe a uma questão de gênero apenas, mas a estes elementos apresentados como arquétipos de poder. Um poder fálico branco estabelecido, que dita as regras pela força, pelo capital, pelas leis, pelo olhar vertical, hierárquico; e um poder feminino negro excluído, que se impõe pela sua herança ancestral, pela sua religiosidade, cultura, pelo olhar plural e agregador. Esses dois poderes que abarcam em sua constituição elementos de gêneros opostos como no caso do masculino branco que inclui a patroa Silvia (episódio I) e a patroa amiga da patroa da Vera (episódio  II) e do feminino negro que inclui os homens da casa de Mãe Bia (Aloísyo, Moacir, Lorival e Lila), esses poderes se apresentam em suas diferentes facetas de opressão e resistência durante toda a série. Mas aqui neste episódio entra um outro elemento: o masculino negro.
Vejo uma diferença entre esses dois arquétipos, o masculino branco e o negro. O branco se manifesta pela força de quem detém o poder e por isso determina o que é falso ou verdadeiro; como as coisas devem ser e que lugar devem ocupar. O negro é oriundo da mesma energia racional e imperativa, porém é a face oprimida deste poder por ser negro e visto como desprivilegiado. Assim como acontece com o feminismo branco ocidental que não abarca as questões do feminismo negro e suas particularidades oriundas de conceitos históricos muito bem arraigados.
Quando o episódio abre com Cleiton duelando numa referência quase velho oeste com Bacana e sua moto, ele não esta duelando só com um rival masculino que tenta tomar de assalto sua amada. Ele esta duelando com tudo o que este personagem, o Bacana, representa como figura dominante (seja pela beleza apolínea, seja pelo poder social, pelo poder financeiro, pela certeza de que pode tudo pela impunidade que lhe protege, enfim). E ao derrubá-lo, ao vencê-lo ele rompe com as amarras, arrebentando seus grilhões contemporâneos com uma porrada certeira de sua arma de ferro “rudimentar” contra o exemplar bem acabado e muito mais poderoso de seu rival (a pistola). O bem e o mal, aqui inclusive com sua estética ocidentalizada invertida, se confrontando para além das fronteiras do território limite, o posto. Neste duelo o masculino negro sai como vitorioso.
No entanto, diferente dos homens nascidos e criados dentro da força desse matriarcado representado pela família de Madureira que não se perdeu para as determinações do mundo branco, este exemplar do masculino negro foi forjado em um lar destruído pelas mazelas sociais de um mundo que sabe colocar “cada um no seu lugar”. Ele não tem essa referência de força, de raiz, de saber de onde vem para ter certeza de pra onde vai. Ele não tem a auto estima alimentada pela força de sua história. Seu passado é carregado de referências negativas que encontram eco num coração vazio de memória. Este menino/homem precisa amadurecer, porém seu amadurecimento é na direção deste exemplo de homem ocidental dominante. Que quando vitorioso tem o mundo a seus pés e a seu dispor. Ele é forjado sob as regras de um mundo que diz que o príncipe herói, por exemplo, passa a ter a princesa mulher como sua eterna serva fiel cheia de gratidão e subserviência por ter-lhe salvo a vida e lhe dado a graça do seu amor.
Mas essa nossa heroína, princesa/mulher é uma princesa nada boba que permitiu que seu príncipe a salvasse porque precisava desta força aliada para se libertar, mas ela se vê e se coloca em pé de igualdade o tempo todo, negociando o seu ceder até o limite da sua autonomia sem nunca ultrapassá-lo. A certeza do seu poder e força, que pela mulher branca ocidental é tão exaltado e a duras penas conquistado pelo movimento feminista branco, já é intrínseco na mulher negra (brasileira), guardadas as exceções é claro, que samba, sangra e transforma levando a  vida por um fio, lutando por liberdade nas mais variadas classes sociais deste país. Umas agem com esta autonomia por clara consciência e outras por puro instinto. Mas esta força autônoma está ali. E sabemos disso. Nossas princesas são guerreiras não frágeis mocinhas delicadas, apesar dessa imagem da mocinha frágil do mundo ocidental também estar sendo quebrada aos poucos. Porém, a visão de Cleiton é forjada pela supremacia do masculino branco que tudo pode. Quando ele chega à casa feliz contando pra mãe seu feito heróico, não vemos apenas a alegria de um menino que se enxerga homem pela primeira vez, mas a força do masculino se fazendo presente como dominador. “Eu salvei ela!!” . Brada nosso torto herói por conta de sua construção. Este herói que sempre foi oprimido e agora, por ter rompido com suas amarras, quer se tornar opressor ao invés de querer acabar com a opressão. E como tal herói quer tudo o que o guerreiro vitorioso tem o “direito” de ter, inclusive o corpo do objeto de seu desejo. Nesse momento esses dois poderes (negro e branco) oriundos desta mesma energia masculina se igualam e no caso do Cleiton se torna ainda mais opressor porque carrega em si o desejo da forra. Seu querer é carregado da intensidade daquele que nunca comeu mel e quando come se lambuza. Por isso que no momento em que se vê encurralada Conceição enxerga em Cleiton o mesmo algoz que identificou em Cássio. E o trata da mesma maneira. Por isso também que sua decepção com seu amor é maior “Nunca pensei que eu ia ter que fugir de ocê tamém!”. E Cleiton pára diante do universo matriarcal e equilibrado da casa de Mãe Bia. O pacto foi rompido. Ele tentou dominar a força subjetiva que a tudo abarca e acolhe e se sobrepor a esta. Só que neste lar o que reina é o amor que a tudo equilibra. E para o masculino conseguir se impor neste lugar é preciso ter a coragem dos humildes. Porque a vida precisa dos dois lados (juntos em pé de igualdade) para poder seguir.

“O correr da vida, fia, embrulha tudo. A vida é assim! Esquenta, esfria, aperta, e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem!”

referente a  "Grande Sertão Veredas" de Guimarães Rosa


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Suburbia 4º capítulo

http://nadaexagerado.com.br/11/2012/suburbia-video-do-episodio-4-22112012/


PROGRAMA VIDEO SHOW.QUINTA FEIRA 22/11

http://globotv.globo.com/rede-globo/video-show/v/conheca-tatiana-tiburcio-a-amelinha-de-suburbia/2255593/





terça-feira, 20 de novembro de 2012

Suburbia 3ºCapítulo na integra

http://www.dailymotion.com/video/xv7tkd_suburbia-episodio-do-dia-15-11-2012-na-integra-terceiro-episodio_shortfilms?search_algo=2


sexta-feira, 16 de novembro de 2012


“E ver tudo bem mais claro no escuro”
                                                           Tim Maia

por Tatiana Tiburcio


Uma Princesa Nada Boba

O terceiro capítulo de SUBÚRBIA traz novamente o feminino como norte. No primeiro capítulo vemos o feminino presente na base dessa família que é matriarcal. No segundo o temos presente na manifestação do amor. Um amor negro, plural, espiralar na sua essência capaz de estar presente e forjar qualquer indivíduo que tenha em seu corpo/mente um solo fértil para cultivá-lo. Neste capítulo, vemos um feminino representado pela força da mulher. Uma força inerente a mulher de um modo geral – entendendo este geral como ocidental eurocêntrico.  Mas eu não estou aqui para falar do padrão. Minha forma de ver as questões apresentadas é carregada das particularidades referentes à minha condição de mulher, sim, ocidental, sim, mas NEGRA (graças a Deus! rs). Brincadeiras a parte este episódio me fez lembrar um livro infanto-juvenil (que na verdade serve pra todas as idades) que tenho na minha prateleira, intitulado “Uma princesa nada boba” de Luiz Antonio lançado pela Cosac Naify. Nesse livro, o autor apresenta uma menina negra que tem dificuldades de se aceitar porque quer ser princesa, mas as princesas não se parecem com ela. Então, em uma visita a casa da avó esta lhe apresenta outras princesas diferentes dos contos de fada com os quais ela estava acostumada. Princesas de África fruto de uma mitologia antiga e riquíssima cujas feições, estas sim se remetem a ela. Pode parecer não ter nada a ver com SUBURBIA. Porém o ponto de intercessão entre o livro e a série é justamente a personagem principal: a nossa princesa Conceição. Me incomoda muito quando leio na mídia que ela é a cinderela do subúrbio. Não é! Porque as nossas princesas/mulheres não ficam dormindo esperando que o príncipe/homem a traga de volta a vida, ou que a salve de um destino cruel qualquer. As nossas princesas tomam iniciativa. Vão à luta. São elas que salvam os príncipes, ou melhor, os próprios reis de um exército inimigo como na lenda em que Iansã (Conceição) salva Xangô (Cleiton) apenas com sua inteligência e com o seu amor. As nossas princesas não aceitam o jugo do príncipe, sua proteção financeira ou amorosa se não for de sua própria vontade. Como Conceição (Oxum Oporá – Oxum com Iansã) ao negar a ajuda financeira de Cleiton e ir atrás do emprego que precisa mesmo percebendo – e de certa forma até ignorando – o desagrado do namorado em relação a questão.
As nossas princesas/mulheres têm atitude. Elas dizem não ou sim quando lhes convém porque são autônomas; vivem independentes da existência do outro. São elas que geram esse outro que só existe pela vontade delas, na verdade. São mulheres que se permitem a fragilidade quando se cansam da batalha e que, como mulheres, têm a humildade e a liberdade de pedir ajuda.
Essa fragilidade é apresentada nas cenas no posto de gasolina.

O Posto: A fronteira

Foi preciso abrir um a parte nesse texto para esse lugar chamado posto de gasolina. Ali o Luiz nos apresenta um território limite entre a redoma de amor de Madureira e o mundo que os cerca. Este posto fica justamente sobre a linha tênue que separa estes dois universos e onde se concentra todas as representações da realidade, do mundo não-ficcional, do que vivemos fora da tela. Como na figura do dono do posto que é esse patrão capitalista que esta apenas interessado no lucro que pode ter com as situações que lhe são apresentadas. Que estende a mão pensando não no indivíduo que esta a sua frente, mas no que pode ganhar através dessa “ajuda” ofertada. Ou como a amiga da patroa de Vera que oferece um trabalho escravo disfarçado de assalariado para Conceição que junto com Vera “dá nuca” (num linguajar popular) para a proposta abusiva e exploradora. Um lugar onde a mulher é exposta como um chamariz para o dinheiro, o lucro. A mulher como objeto e no caso de nossa heroína um objeto cujo abuso é “permitido”, “autorizado de forma inconsciente (?)” pela História de nosso país.
É nesse lugar que o mal – dessa vez personificado no nosso modelo Armani, o Bacana – se apresenta pela primeira vez.
No início do capítulo vemos o conceito de belo sendo apresentado a partir de outros padrões. A beleza negra apresentada ao som de nada mais nada menos que Tim Maia, fora das referências socialmente reconhecidas; uma beleza doce, ingênua, pobre, negra; uma beleza em cores e simplicidade que irá contrastar com a trazida do mundo padrão, do lado de lá.
Bacana chega de preto travestido com uma elegância diabólica representando o protótipo de beleza padrão do mundo real: a perfeição Apolínea expressa no seu sorriso, nos seus traço que subjuga a mulher pela sua pretensa superioridade e a mulher negra pelo seu direito adquirido historicamente de posse. Com seu tacape contemporâneo (sua arma prateada) leva a força aquilo que lhe “pertence”.
É nesse lugar limite que as transformações são apontadas. Onde tudo pode virar, explodir, mudar. Como na fala de Eder, o dono do posto, quando pergunta se Conceição fuma, nos lembrando que nesse lugar qualquer fagulha pode fazer tudo ir pelos ares. É nesse lugar que o lado sombrio dos personagens aparece, onde eles são estimulados e potencializados. E Conceição sabe disso de forma inconsciente visto que ela está entre o seu amor e o mal que o instiga e provoca a perdição. O que Bacana não sabe é que essa é uma princesa nada boba, que vai se desequilibrar sim pela presença desse mal tão perto, mas que não vai desmaiar nem ficar dormindo até que seu príncipe a salve. Afinal...
“viver é ir entre o que se vive”
João Cabral de Melo Neto

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

CRITICA DE SUBURBIA
vale a pena conferir!

http://contigo.abril.com.br/blog/jorge-brasil/2012/11/09/suburbia-traz-frescorvitalidade-e-muita-emocao-nesse-fim-de-ano-na-tv/


SUBURBIA 2ºCAPÍTULO - PARTE 2

http://www.dailymotion.com/video/xuypg5_suburbia-08-11-2012-parte-2-ep-02-de-quinta-feira_shortfilms?search_algo=2


SUBURBIA 2ºCAPÍTULO - PARTE 1

http://www.dailymotion.com/video/xuypgg_suburbia-08-11-2012-parte-1-ep-02-de-quinta-feira_shortfilms?search_algo=2


SUBURBIA 1ºCAPITULO - PARTE 2

http://www.dailymotion.com/video/xurzu1_suburbia-01-11-2012-parte-2-final-ep-01-de-quinta-feira_shortfilms?search_algo=2


SUBURBIA 1ºCAPÍTULO - PARTE 1



quinta-feira, 8 de novembro de 2012


“Mãe Bia tá certa: cabe ao povo de fé arrebanhar as ovelhas perdidas pelos caminhos da vida...”

por Tatiana Tiburcio


O segundo capítulo de SUBURBIA começa com a seqüencia da tentativa de estupro sofrida por Conceição. Muito se falou a respeito dessa situação quando apontada ainda no primeiro episódio. Algumas pessoas reclamaram dizendo “lá vem a mesma história de novo do homem branco abusando da negona”. Ah como é doce a espera! Para provar que esse produto tem um quê de diferente de tantos outros escritos e produzidos pelos negrólogos de plantão: aqui nós como negros fomos ouvidos. Não dá pra evitar exibir essa situação, pois ela é corriqueira à grande maioria das mulheres negras nesse país em algum grau. E sabemos bem o peso dessa verdade. Pode se argumentar que não é uma situação inerente somente a mulher negra. Que ocorre com a mulher de um modo geral. No entanto, é provado que a grande maioria dos estupros no Brasil são sofridos por mulheres de melanina acentuada. E isso se dá pelo fato de sempre termos sido vistas como um objeto sexual de uso institucionalizado pela história, que só deixou de ser assim no papel, mas no inconsciente social continua igual. As escravizadas negras eram abusadas sob o direito dos homens/senhores de assim fazê-lo. Era normal. Como em “Casa Grande e Senzala” quando o autor tenta nos fazer acreditar que essa iniciação sexual do sinhozinho, por exemplo, era uma coisa quase romântica e tida com bons olhos por todos. Consensual. Mentira! A escravizada não tinha o direito de dizer não! Como mostra a cena do abuso de Conceição. Quando a mesma se nega o sinhô contemporâneo a expulsa de casa (já que não pode chicoteá-la ou forçá-la pela lei). E a Vera sabe que ela não pode contar pra patroa porque esta acreditará no sinhô, visto que é lógico que foi a negra que provocou, porque assim somos vistas. E o silêncio daquelas mulheres revela a compreensão embutida da falta de defesa e de igualdade de direitos e sentimentos.
O diferencial aqui é o desenrolar dessa situação. A REAÇÃO. Hoje podemos dizer NÃO! Vestidas misticamente com a força e as armas de Iansã reagimos no nosso cotidiano, no matar o leão nosso de cada dia. Conceição reagiu a partir da mesma energia que a fortaleceu no internato quando agredida pela menina manda chuva do pedaço. A energia canalizada em força gerada pelo fato de saber quem é e de onde vem mostrando a importância de conhecer suas raízes. A força ancestral dos nossos bakulos e inkices presentes no olhar focado e no joelho certeiro dessa menina que não tem nada, mas que tem tudo naqueles que a antecedem e que a fazem ser quem é. A força de nossas raízes que nos foi tirada quando capturados, separados e divididos durante quase quatro séculos; a força de nossas raízes que foi queimada por Rui Barbosa junto com todos os registros de origem dos nossos antepassados escravizados, mas que se mantém vivo ressurgindo desse mesmo fogo de Xango através do amor, da oralidade, da fé.
Essa é a palavra! Fé. E não estamos aqui falando da fé cristã (nem que haja um problema com a fé cristã), mas da fé do amor. Um amor que abraça que acolhe que aquece que multiplica e que se faz vivo nos pequenos gestos do viver nosso de cada dia. Esse amor feminino no qual é banhado, por exemplo, esse homem negro criado nitidamente não com o olhar de quem pode ter tudo o que quer (Seu Cássio/Sinhô), mas de quem quer tudo o que lhe convém, Seu Aloyzio. Esse homem forjado nesse amor feminino que une por um fio singelo que é desenrolado delicadamente e abraça toda essa família de Mãe Bia às crianças brincando no quintal. Seu Aloyzio que com essa música sincrética – porque vai de Mozart ao Jongo – embala e protege com seu fio tênue, porém inquestionável essa união de amor. Um amor negro porque plural, comunitário, de crescimento para os lados e para cima remetendo a um movimento espiralar que é justamente a forma figurativa de desenvolvimento humano da visão de mundo Banto. Um amor calçado em valores antigos carregados de referências ancestrais que muitos de nós nem sabemos de onde vem, mas que reproduzimos porque sentimos no sangue, na pele. Como quando Vera desrespeita o pai no portão de casa e ao ser chamada atenção pela mãe esquece sua doutrina atual e se desculpa com seus valores ancestrais: “ Bença mãe”. Na certeza intuitiva de que é esse subjetivo que nos mantém vivos. Que acalenta e dá sentido a vida de Cleiton, que sincretiza as crenças, que abençoa e batiza nas águas da mãe primeira o amor dos enamorados com a permissão da família. Que explicita a cumplicidade de cada olhar feminino, negro (de Amelinha, Maria Rosa, Vera e Mãe Bia) consciente – cada um(a) a sua maneira – da dor vivida por Conceição quando pede abrigo nesta casa. A fé do amor! Que fez com que ela não buscasse a justiça dos homens (brancos) que olhariam para esse corpo escultural de deusa negra e diriam algo do tipo “também né, com essa bunda qué o quê?” ou coisa do tipo. E sei do que estou falando. 
Ela foi buscar a justiça desse amor que nos seus pares se fortalece.

“Cabe ao povo de fé arrebanhar as ovelhas perdidas pelos caminhos da vida”
Luiz Fernando Carvalho e Paulo Lins